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FREI  LUÍS  DE  SOUSA

 

Características da Tragédia Clássica:

1.      Efeitos sobre o público:
      ·         Inspirar sentimentos de terror e piedade

 

2.      Características gerais:
2.1. Personagens de alta estirpe (social e moral ).

2.2. Presença de um coro: conjunto de personagens que não intervêm directamente na acção e cuja função é comentar determinados momentos da acção à medida que esta se vai desenrolando.

2.3. Lei das três unidades:

 ·         unidade de acção – a intriga deve ser simples, sem acções secundárias, de modo a evitar dispersão, aumentando assim a tensão dramática;

 ·         unidade de espaço – toda a acção deve desenrolar-se no mesmo espaço;

 ·         unidade de tempo – a duração da acção dramática nunca deve exceder as 24 horas.

2.4. Estrutura tripartida da acção:

·         Exposição – apresentação das personagens; esboçar do conflito ligado a um mistério na origem das personagens, mistério provocado pela força oculta do Destino o qual se revela através de indícios, que apontam para um desfecho trágico e para o desvendar do mistério inicial.

·         Progressão dramática – desenvolvimento do conflito que se encaminha para um clímax ( pathos – ponto culminante da acção trágica) em que se desvenda o mistério, ligado a uma relação de parentesco oculta ( reconhecimento / anagnórise);

·         Desenlace / Catástrofe – o fim das personagens é sempre a morte (física, social ou afectiva).

 

 

  •    Aconselha-se a leitura de extractos da Memória ao Conservatório Real para, confrontando com as características gerais da tragédia clássica e do drama romântico, se inserir o Frei Luís de Sousa na tipologia dos textos dramáticos.  

 

 

“ Memória ao Conservatório”

   Na Memória ao Conservatório Real, lida quando ofereceu o Frei Luís de Sousa à  prestimosa instituição, afirma Garrett que a peça capaz de entusiasmar o homem moderno é o drama romântico. Expõe esse acerto comentando a peça que leva na mão.

a)      Um assunto de tragédia

Começa por dizer  que na «história do Frei Luís de Sousa, (...) há  toda a simplicidade de uma fábula trágica antiga». A catástrofe é um duplo suicídio: Manuel de Sousa e Madalena morrem para o mundo. Poderia com o enredo construir uma verdadeira tragédia se quisesse.

b)      Mas não quis fazer uma tragédia

E continua a expor o dramaturgo que não lhe deu o nome de tragédia, porque:

-          o assunto não é antigo;

-          não quis usar o verso;

-          utilizou a prosa, pois mal parecia não colocar prosa na boca do melhor prosador português.

c)      Quis chamar-lhe drama

«Contento-me para a minha obra com o título modesto de drama ». Ninguém sabe – diz ele - o que é o drama; no entanto, confessa a seguir que é o único género de teatro com probabilidades de interessar a gente do século, toda inclinada ao estudo do homem.

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FREI  LUÍS  DE  SOUSA

 A acção do drama e a história

   A acção do drama decorre em Almada, nos fins do século XVI, mais ou menos duas dezenas de anos após o desastre de Alcácer Quibir. Nesse tempo, em plena dominação espanhola, perpassava pelo coração de todos os patriotas portugueses uma onda avassaladora de sebastianismo. 
       Madalena de Vilhena casara com D. João de Portugal, homem que respeitava muito, mas a quem nunca teve verdadeiro amor.  D. João foi combater em Alcácer Quibir e não voltou.   D. Madalena indagou da vida ou morte do  marido, tanto quanto é humanamente possível. Não chegou a resultado algum.  Ninguém lhe dava notícias de ele ter morrido nem de estar vivo.
       Julgando-se então livre, uniu-se em segundas núpcias a Manuel de Sousa Coutinho, fidalgo que conhecera e amara, quando ainda vivia com D. João de Portugal.
       D. Madalena, que nunca obtivera a certeza absoluta da morte do primeiro  marido, não conseguia calar um certo remorso que se lhe agitava cada vez mais dentro do peito e vivia intranquila. Para aumentar este desassossego, muito contribuía o velho aio de D. João, Telmo, com a crença de que o seu Senhor voltaria, vivo ou morto.
       Manuel de Sousa, certo dia, queimou a casa onde morava, só para que os governadores filipinos de Lisboa, fugidos à peste, não a ocupassem, e a família tem de ir morar para um palácio que fora de D. João de Portugal.  Para D. Madalena, tudo ali são recordações do primeiro marido. Ela não pode esquecê-lo. Vive apavorada com medo de que ele surja de uma hora para outra. E é que surgiu mesmo, na pessoa do Romeiro, que se identificou diante de Frei Jorge como sendo D. João de Portugal em carne e osso.
      Agora só havia uma solução: separarem-se D. Madalena e Manuel e abraçarem, de comum acordo, a vida religiosa. É o que vão fazer. Maria, tuberculosa, fraca, ao ver-se sem pais, cai morta aos pés deles, no momento em que tomavam hábito.

António José Barreiros, História da Literatura Portuguesa, 2.º Volume

 

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