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          LITERATURA  na NET

 
 

 

 

Para cima
José Saramago
Vergílio Ferreira
Eugénio de Andrade
Miguel Torga
Fernando Pessoa
Sophia de Mello Breyner
Luís de Sttau Monteiro

 

 

 

Para cima ] José Saramago ] Vergílio Ferreira ] Eugénio de Andrade ] Miguel Torga ] Fernando Pessoa ] [ Sophia de Mello Breyner ] Luís de Sttau Monteiro ]
 

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

 

 

Breve referência biográfica:

  • nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919;

  • frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa;

  • colaborou em revistas literárias com destaque para Cadernos de Poesia (1940-1953), onde conviveu com nomes importantes da poesia contemporânea portuguesa, como Ruy Cinatti, Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Alexandre O’Neill...

  • publicou uma vasta obra em poesia (Poesia - 1944, Dia do Mar - 1947, Geografia - 1961, Nome das coisas - 1977, Musa - 1994, O Búzio de Cós - 1997, são alguns dos títulos mais representativos), e prosa (contos infantis, entre os quais se destacam A Menina do Mar - 1958, e O Cavaleiro da Dinamarca- 1964, Contos Exemplares -   1962, Histórias da Terra e do Mar - 1984), ensaios literários, traduções;

  • participou sempre de forma empenhada e cívica na vida do país, antes e depois do 25 de Abril, tendo sido deputada à Assembleia Constituinte que redigiu a 1. ª Constituição da 3.ª República.
     

  • Profundamente mediterrânica na sua tonalidade, a linguagem poética de Sophia de Mello Breyner denota, para além da sólida cultura clássica da autora e da sua paixão pela cultura grega, a pureza e a transparência do signo na relação da linguagem com as coisas, a luminosidade de um mundo onde intelecto e ritmo se harmonizam na forma melódica, perfeita, do poema. Luz, verticalidade e magia estão, aliás, sempre presentes na obra de Sophia: quer na obra poética quer na importante obra para crianças que, inicialmente destinada aos seus cinco filhos, rapidamente se transformou num clássico da literatura infantil em Portugal, marcando sucessivas gerações de jovens leitores com títulos como O Rapaz de Bronze, A Fada Oriana ou A Menina do Mar.

  • Sophia é ainda tradutora para português de obras de Claudel, Dante, Shakespeare e Eurípedes, tendo sido condecorada pelo governo italiano pela sua tradução de O Purgatório.

  • Sophia de Mello Breyner Andresen é, sem sombra de dúvida, um dos mais amados poetas portugueses contemporâneos – um nome que se transformou, em Portugal, num sinónimo de poesia pura e, ao mesmo tempo, numa espécie de musa da própria poesia.
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Texto 1

Os Poetas

 

Solitários pilares dos céus pesados,

Poetas nus em sangue, ó destroçados

Anunciadores do mundo

Que a presença das coisas devastou.

Gesto de forma em forma vagabundo

Que nunca num destino se acalmou.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

in Dia do Mar, 1947

 

Texto 2

No Poema

 

Transferir o quadro o muro a brisa

A flor o copo o brilho da madeira

E a fria e virgem limpidez da água

Para o mundo do poema limpo e rigoroso

Preservar de decadência morte e ruína

O instante real de aparição e de surpresa

Guardar num mundo claro

O gesto claro da mão tocando a mesa.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

in Livro Sexto, 1962

TEXTO 3

Arte Poética

 

A dicção não implica estar alegre ou triste

Mas dar minha voz à veemência das coisas

E fazer do mundo exterior substância da minha mente

Como quem devora o coração do leão

Olha fita escuta

Atenta para a caçada no quarto penumbroso

Sophia de Mello Breyner Andresen

in O Búzio de Cós, 1997

 

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Sophia apresenta-nos uma poesia de grande fidelidade à realidade do mundo em que vivemos. Poesia das origens, busca a ordem do mundo, a modelação do caos para a criação do cosmos, ou seja, da ordem e do equilíbrio do universo. Recorrendo, geralmente, a uma economia de palavras, a sua poesia estabelece uma íntima relação com as coisas e com o mundoA palavra poética emana, naturalmente simples, pura e divina, mas sempre em estreita relação com a realidade.

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Motivos concretos e símbolos excepcionais para cantar o amor e o trágico da vida foi-os buscar ao mar e aos pinhais que contemplou na Praia da Granja; com a sua formação helenística, encontrou evocações do passado para sugerir transformações do futuro; pela sua constante atenção aos problemas do homem e do mundo, criou uma literatura de empenhamento social e político, de compromisso com o seu tempo e de denuncia das injustiças e da opressão.

 

 TEMAS

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 O jogo dos quatro elementos primordiais

 

Sophia, na sua poesia, conserva e reforça continuamente uma relação privilegiada com o mar, com o vento, com o sol e a luz, com a terra e toda a vegetação. A poetisa procura a transparência, o universo organizado e harmonioso. Por isso, a reconstrução da aliança entre os homens, a natureza e as coisas é uma constante.

O mundo exterior com todos os seus elementos, constitui o ambiente onde o ser humano se cria, se forma, realiza e morre.

A poesia de Sophia é feita de compromisso com a realidade objectiva, num diálogo sobre a condição humana e a situação do mundo contemporâneoProcura encontrar a essência da verdade e o reencontro do Eu com a Natureza.

Nos quatro elementos primordiais - terra, água, ar e fogo - exerce-se a subjectividade de Sophia, ao procurar a relação pura e justa do ser humano com a vida, consigo mesma, com os outros e com o próprio mundo.

No jogo desses quatro elementos tenta o reencontro e a comunhão com o primitivo e a verdade das origens.

É na natureza e, de forma privilegiada, no mar que procura a base estrutural da perfeição e da harmonia.  O mar recupera a infância e possibilita-lhe encontrar o sentido e a purificação do mundo.
 

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A procura da justiça

 

A poesia de Sophia fala da vida real, concreta, das coisas. Celebra a ordem do mundo, a harmonia e o equilíbrio, e não se cansa de denunciar as injustiças e o sofrimento do mundo. Ao destacar a aliança com a natureza e o real, busca a relação justa com as coisas e a relação justa com o homem. Como a própria afirma, "sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar do mar e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dentro dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo."

Uma ideologia humanista e uma consciência política percorrem toda a obra de Sophia de Mello Breyner Andresen. As preocupações sociais surgem, constantemente, revelando a sensibilidade e a revolta perante o sofrimento do mundo. A sua poesia é um canto de luta, de denúncia, contra o que designa de "tempo dividido": de solidão e incerteza, de medo e traição, de injustiça e mentira, de corrupção e escravidão.

O empenhamento social e político é o que não receia a denúncia das injustiças e da opressão contra todas as forças que possam perturbar a ordem, a transparência, a claridade do mundo e, por isso, confundir a integridade humana.

A poesia de Sophia apresenta um papel formativo ao promover a consciencialização, surgindo como meio de denúncia e voz de anseios. Revela, pela sua constante atenção aos problemas do homem e do mundo, um verdadeiro empenhamento social e político, de compromisso com o seu tempo e de denúncia das injustiças e da opressão.

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Bibliografia:

  1. COELHO, Eduardo do Prado, "Sophia - a Lírica e a Lógica", in Colóquio/Letras, n.0 57, 1980.

  2. COIMBRA, Sérgio, "O Mundo de Sophia", in jornal O Independente.

  3. LOPES, Óscar, "Sophia de Mello Breyner Andresen", in Os Sinais e os Sentidos, Lisboa, Ed. Caminho, 1986.

  4. LOURENÇO, Eduardo, "Retrato de Sophia", prefácio a Antologia, Lisboa, Moraes Ed., 1985.

Páginas da Internet

  1. http://www.terravista.pt/guincho/4599/

  2. http://www.instituto-camoes.pt/bases/literatura/contemporaneos.htm